terça-feira, 25 de março de 2014

te quero

eu gosto do teu toque
te vejo dormir
e te toco
quero você
que se mostre

as cores tuas
são tua alma
pura
e a cara nua
muda me fala
mais que aquelas
esbravejadas piranhas

deu 18h
pra onde corre essa gente
e por quê?
certamente não te viram
porque se vissem
parariam
é
ainda bem que não viram
mas se olhassem
eu te vestia
e protegia
só porque dói quando te querem
pois te tenho
e te quero só pra mim
pra que enfim
tu acorde
e sejamos os opostos
aqueles
que se amam
e não têm
fim

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

cozinha americana de zebrinha

Todas as luzes queimaram, aquelas que me cercavam. Tá tudo escuro e eu só posso sentir seu cheiro dentro de mim.
Fechei a sala. Não porque não quero ter que olhar pros porta-retratos estúpidos de madeira que você tinha comprado, até porque, aliás, tá tudo um breu mesmo. Na verdade, eu fechei a sala por não poder fechar o coração. Tentei trancar lá todas as lembranças - boas e más -, só que não deu certo.
Como demorei para arrumar aquela gaveta... Mas não porque tava escuro, mas sim porque doía pensar em todas aquelas coisas que eu pegava e atirava pela janelinha da cozinha americana linda com assoalho de zebrinha que você tinha decorado pra nós. Enfim, tranquei-as lá e nem sei o que são. Não sei nem se abri a gaveta certa. Tá escuro, merda.
Tô sem rumo. Não sei se quero que a luz volte.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

verdades incontestáveis do velho da massa

hoje olhei nos teus olhos
te vi envelhecida
senti-me tão mal

afinal isso significa que velho também estou
senti saudade de quando o que vivíamos era pura alegria
agora vejo-te assim
tão crua, tão mais experiente... envelhecida

quero voltar ao passado, pois me apeguei a ele
claro que não ao que tínhamos em matéria que, aliás, era até mais
mas me apeguei a nós, ao "nós" de antigamente
porque agora nos vejo tão desapegados

quero voltar

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

venha

venha
mas venha de manhã
e por favor
passe na padaria
você vai gostar de ver
nas notícias do dia
naquele jornal esquecidinho
lá embaixo
o que escrevi
na folha número trinta e três

um recadinho
pro novelinho de lã
que é meu
e atende pelo nome
você

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O mar

será que o mar não se cansa?
trinta mil vezes por dia
balança

é uma eterna dança
e eu penso
como é mansa a água
desse rio-mar
propenso a tempestades
entidades e perigos

mas o mar não se preocupa
nele mesmo encontra a cura
pois é semente
de casca dura e uniforme
que desabrocha e acaba em si
no leito da morte
que é o regresso à vida
e ao sentir

sábado, 22 de junho de 2013

eles riem de nós

é tanta indignação
que um reclame só
não adianta

a anta
em dor
grita chora esperneia

o esperto
sem amor
aproveita explora e saqueia

o acomodado
indoor
petisca se apavora compartilha

e o cara de lá
confisca
evapora provas
e de lei se faz

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Ditadura

corto e colo
não gosto
re-corto

em nada dá
de nada será
ou valerá 
a pena 
uma prosa pequena
pois não sei explicar

existe isso em mim
pois sou vítima
não de sistema ou motivo assim
talvez de sistema
também dos poemas
que escrevo sem fim

eu
não
paro
se paro
reparo
só sei
assistir
não sei
existir

legítima vítima
órfão por ela
perdido com ela
levou-me paixão
a puta tensão
que é tele
de longe
escópia
tele-visão

agora faço
refaço
disfarço 
não traço
vítima da visão
da televisão